terça-feira, 26 de janeiro de 2010
O blog vai mudar.
Olá pessoal, agradeço sua visita ao blog e espero que o mesmo esteja sendo útil para vocês. Informo que o blog vai mudar em breve para a página www.sciencehealth.com.br, onde postarei o blog e também algumas aulas curtas e aulas que proferir em congressos.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Memantina e glutamato
Ontem ministrei curso para pós-graduação de ortomolecular no Rio de Janeiro, falei sobre a abordagem ortomolecular em algumas desordens endócrinas, particularmente obesidade, resistencia a insulina e diabetes. Envolve então síndrome metabólica, esteatose hepática, disfunção endotelial. Abordei algo de tiroide. Bem, nas perguntas que foram aparecendo eu comentei sobre minha opinião sobre a memantina, acho que a memantina é a primeira droga de muitas que virão que tem a capacidade de modular o sistema glutamatérgico, particularmente receptores NMDA que são responsáveis pelo neuroexcitação. A neurotransmissão glutamatérgica é pouco conhecida, na verdade, todo o cérebro é um enigma, mas a neurotransmissão glutamatérgica envolve influxo de cálcio, excitação, ira, agressão e competitividade, assim como seu excesso envolve apoptose de neurônios. O sistema está envolvido em alguns tipos de enxaqueca, agressividade, mania, comportamento marginal alterado e esquizofrenia. Pode estar envolvido em agressividade em autistas. Há uma gama muito grande de aplicações, brinquei que eu gostaria de ser o detentor da patente da molécula, porque eu vejo esta como uma molécula para se descobrir muita coisa, muitas ações farmacológicas, muitas atividades terapêuticas ainda serão oriundas da memantina, sem contar o fato de que novas moléculas aparecerão, como diferentes niveis de atividade. Em suma, é um fármaco que foi bem vindo e que será ainda muito estudado. A memantina pode ser potencializada por magnésio, glicina, omega-3 (DHA), fármacos como bloqueadores de canal de cálcio ou abridores de canal de cloreto, e o estimulo do metabolismo de um carbono, daí a presença de ácido fólico, vitamina B12 e metionina são essenciais. Deriva uma possível aplicação para a s-adenosilmetionina, mas ainda são descobertas futuras.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Aula via internet dia 10 de fevereiro.
Convido-os para assistir aula via internet utilizando o sistema hot conference, dia 10 de fevereiro iniciando as 20h e terminando as 22h. O tema será dieta, suplementos e medicamentos, sinergia. Inscrições com o Acácio no e-mail contato@atmancapacitacao.com.br
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Aula via internet dia 20 (quarta feira proxima)
Quarta feira próxima será ministrada aula via internet, porém voltada para farmaceuticos. Caso queiram assistir, entrar em contato com:
contato@atmancapacitacao.com.br
contato@atmancapacitacao.com.br
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
MSG e cefaléia.
Hoje foi publicado um artigo na revista "Cephalalgia" onde foi administrada dose de 75mg a 150mg/kg de glutamato monossódico e foram avaliados vários parametros clínicos e laboratoriais e os pesquisadores concluiram que o suplemento aumentava cefaléia e sensibilidade muscular na região do crâniofacial. Bem, imaginam os pesquisadores que este efeito é causado pela transmissão glutamatérgica, receptores NMDA que em animais tem demonstrado induzir este efeito. Segundo pesquisa, o glutamato ativa o receptor de gustação do sabor umami, um quinto sabor que o ser humano sente e descoberto por pesquisador japonês. O nível aumentado de glutamato no SNC pode levar a neurotransmissão excitatória e em algumas doenças degenerativas cronicas, induzir a apoptose de células via caspase nove. Fala-se muito sobre a toxicidade do glutamato e do NMDA, porém fala-se pouco na bioquimica do mesmo. 70% do glutamato no nosso corpo é produzido pela transaminação do alfa-cetoglutarato, ou seja, produção endógena. Produção intermediária que levará a produção de glutamina, prolina, citrulina e arginina, aminoácidos importantes para o metabolismo e anabolismo celular. Então do ponto de vista fisiológico nós somos talhados para ingerir glutamato, porém devemos controlar a quantidade. Difícil não? A fisiologia é sábia, a bioquímica também. Imaginem vocês que o sistema endógeno é perfeito e nós alteramos o seu caminho. A partir do alfa-cetoglutarato eu faço o glutamato utilizando os BCAAs. Daí a partir do glutamato eu faço GABA, glutamina ou eu uso como glutamato como neurotransmissor ou na síntese proteica. Dados indicam que a grande fonte de arginina pro nosso corpo é o glutamato, glutamato que também é usado diretamente como fonte de energia em alguns processos, além disso estes produtos fazem a prolina e poliaminas, mecanismos intrincados e todos muito importantes no nosso dia a dia. Mas quando vocês optaram pelo estudo ligado a ciencias biológicas, ninguém avisou que seria fácil né?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Aula demonstração
Olá, postei uma demonstração do curso atualização 2009 no endereço abaixo. É apenas uma parte da aula porém acredito que esta pequena parte poderá ser útil para vocês em termos de acréscimo de informação. O endereço é http://www.mediafire.com/?onqmwkjmtzn
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Flavonóides e Cérebro
Esta semana foi publicado um artigo avaliando efeito de blueberry em demencia em pacientes idosos. O efeito foi leve mas foi estatisticamente observado. Há vários tipos de demência, vamos ficar em discutir algumas como a demência isquêmica por exemplo. Se um paciente idoso tem demência isquêmica, o que não é raro, a dilatação das artérias com consequente aumento de fluxo sanguíneo vai levar a uma melhora, talvez lenta, mas vai levar. Porém se analisarmos que a perfusão cerebral aumenta com o suplemento de flavonóides/polifenóis, esta perfusão temporariamente pode induzir ao estresse oxidativo por reperfusão pós isquemia, daí devemos avaliar a abordagem correta. flavonóides/polifenóis em geral aumentam a produção de óxido nitrico, via indução da óxido nitrico sintetase endotelial, este estímulo levaria a uma dilatação da artéria e consequentemente melhora do fluxo sanguíneo. Toda dilatação dependente de óxido nitrico pressupõe controle da tensão oxidativa, geralmente o radical livre superóxido, cuja produção está aumentada no idoso devido a atividade maior da nadph oxidase e a desacoplamento da eNOS, neutraliza o óxido nitrico gerado gerando peroxinitrito. A reperfusão rápida pode levar a síndrome de isquemia e reperfusão e daí gerar estresse oxidativo, mesmo temporário via ativação da xantino oxidase. Alguns flavonóides inibem a xantino oxidase. Acredito que a demencia isquemica deve ser abordada de forma cautelosa com vasodilatadores, flavonoides serão muito úteis, mas dependem de outros fatores para funcionarem a contento. Um fator interessante é o próprio magnésio, que melhora a produçaõ de ATP no SNC e pode agir de forma benéfica melhorando o resultado da reperfusão. Bem, o fato é que ultimamente vem se publicando muito sobre polifenóis e sistema nervoso central. O último artigo foi sobre demencia, o penúltimo sobre depressão. Como flavonoídes podem influenciar a depressão? devido a perfusão e a mudança do perfil inflamatório e a sua interferencia no metabolismo de neuroesteróides. Muito ainda será publicado e esclarecido ainda este ano.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Vitamina D em 2010
Mal 2010 começou e já começaram a aparecer artigos sobre vitamina D nas revistas. A grata surpresa foi a revista Neurology de janeiro de 2010 que traz três artigos associando níveis plasmáticos de vitamina D e função cognitiva. Lógico, níveis baixos com déficit cognitivo nos pacientes. Ainda há muito a se descobrir sobre a vitamina D, neste momento estão em andamento trabalhos suplementando vitamina D e avaliando a função cognitiva em pacientes idosos. De antemão dados serão associados a demencia isquêmica que com certeza terá sua progressão retardada pela vitamina D nos pacientes idosos. Além disso, o ano de 2009 foi pródigo em relação a vitamina D, artigos de revisão focaram em efeitos não-ósseos e mostraram benefícios imunes. A vitamina D é um hormonio imunomodulador. Outros dados são de artigos em neuropatia diabética. Talvez se extenda para outros tipos de neuropatias, mas é uma arma a mais no dia a dia.
sábado, 26 de dezembro de 2009
O selênio -amor e ódio
A história do selênio é interessante. Hoje muitos prescrevem o elemento como suplemento, ou orientam ingestão de castanha do Brasil como fonte de selênio. Há 20 anos atrás o selênio não era muito utilizado, estava disponivel como reagente na forma de selenio metálico e selenito de sódio e desta forma eram usados como suplemento em fórmulas magistrais. Deste esta época eu estudo o selênio e venho acompanhando a evolução do conhecimento sobre seu metabolismo. Estudos indicam que o selênio é altamente tóxico, tanto quanto o arsênio se administrado em doses altas. Como todo oligoelemento, é essencial a um sem número de caminhos metabólicos no nosso corpo, porém em excesso é tóxico, altamente tóxico. O que me preocupa não é a sua dose tóxica, é o desconhecimento de sua toxicidade sub-clínica. Estudos na China, onde foram identificadas duas doenças por deficiencia de selenio, Kashin-Beck e Keshan trouxeram uma luz sobre seu uso como suplemento e seu uso na agricultura. Regiões onde existiam estas doenças endêmicas tiveram seu solo adubado com selênio e a prevalência destas doenças diminui drasticamente. O selênio tem sido ligado a algumas patologias, sua deficiencia é associada a estresse oxidativo descontrolado por deficiencia de caminhos metabolicos antioxidante (glutationa peroxidase por exemplo), baixa atividade da enzima iodotironina 5-deiodinase que converte T4 a T3, levando a hipotiroidismo sub-clínico. Também há estudos do selênio em tiroidite de Hashimoto melhorando qualidade de vida nestes pacientes. O outro lado é também interessante, há estudos mostrando que o selênio em excesso inibe a tireoperoxidase, diminuindo a produção de hormonios tiroideanos, duas faces interessantes. Selênio em excesso dá hipotiroidismo, selênio em falta também. Há estudos ligando suplemento de selênio e prevenção de cancer, porém estudos de níveis plasmáticos e câncer mostram que o nível elevado de selênio aumenta prevalência de alguns tipos de câncer. Outro lado interessante do selênio é que estudos epidemiológicos já há pelo menos 5 anos mostram uma relação entre o nivel plasmático elevado de selênio e o risco aumentado de diabetes tipo 2 na população. Este mês foi publicado um artigo relacionando o selênio e aumento nos níveis de colesterol total e colesterol não-HDL, ou seja, aumento de colesterol da LDL, VLDL e total, mas não da HDL. Imaginem então a repercurssão de um nível aumentado de selênio na dieta ou como suplemento. Hipotiroidismo sub-clínico leva a obesidade. Nível plasmático de selênio alto aumenta risco de diabetes tipo 2. Nível aumentado de selênio no sangue aumenta colesterol da LDL. Some tudo isso aí, sindrome metabólica, doença cardíaca, infarto no miocárdio, acidente vascular cerebral. Cada vez mais os estudos mostram que o objetivo nunca é suplementar sem controle, é suplementar apenas o que o indivíduo necessita. Eu pergunto a vocês que prescrevem o selênio e orientam dieta... vocês sabem se seu paciente precisa do selênio que vocês estão indicando?
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Jantar de natal - texto copiado do http://www.acsh.org
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