domingo, 29 de novembro de 2009

Anaeróbio ou Aeróbio?

Vocês já questionaram qual o melhor exercício para obesidade? Ontem no curso de suplementos no esporte discuti com os alunos a eficácia na produção de ATP. Imaginem que a partir da glicólise anaróbia o nosso corpo faz 2 ATPs para cada mol de glicose metabolizada, gerando esqueleto de carbono, como eu falei antes. Quando fechamos a glicólise aeróbia, fazemos 36 ATPs. Então se voce ingerir glicose, amido, ou fazer a gliconeogenese, eu pergunto para os leitores... qual o melhor exercício para queimar mais glicose e formar ATP para obter uma geração de ATP com maior gasto de glicose? Ora, a resposta é óbvia, a glicólise anaeróbia é mais eficaz em perder caloria em função de que o corpo faz em torno de 15 vezes menos ATP a partir do mol de glicose em relação a glicolise aeróbia. Então para perder peso ou tansformar moléculas de glicose de forma a gerar menos energia, aumentando a perda de peso com menos exercício possível, acredito que a glicólise anaeróbia seria a forma mais eficaz porque é menos produtiva em energia. Todos em geral, quando vão perder peso recomendam que o atleta faça aeróbio, mas acredito sinceramente que o anaeróbio lático é a melhor forma de se perder peso rapidamente justamente porque o rendimento em ATP é menor.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Linhaça, dados finais e mitos caindo

Posto restumo de artigo de revisão sobre linhaça e saúde, um dado para utilizarem no dia a dia baseado em ciência. A linhaça e seus componentes podem melhorar saúde cardiovascular devido numerosos atributos. A linhaça contém 35% de sua massa como óleo, do qual 55% é ácido alfa-linolênico (ALA) (omega-3). Torta de linhaça, que não contém o óleo, mas contém a lignana secoisolariciresinol diglicosídeo (SDG), linhaça, linhaça com baixo teor de ALA, óleo de linhaça e complexo lignana da linhaça (FLC) e a lignana secoisolariciresinol diglicosídeo (SDG) reduzem o desenvolvimento de aterosclerose hipercolesterolemica em 46%, 69%, 0%, 73%, e 34%, respectivamente, em modelo de coelhos. FLC e SDG diminuem a progressão de aterosclerose porém não tem efeitos na regressão de aterosclerose. Supressão de aterosclerose pela linhaça é o resultado do seu conteúdo de lignanas e não resultado do conteúdo de ALA. Supressão de aterosclerose é associado com diminuição de lipidios séricos e atividade antioxidante. Efeitos da linhaça nos lipidios séricos em animais experimentais são variáveis de nenhuma alteração a leve redução. Óleo de linhaça não afeta lipidios séricos, exceto por uma leve redução nos triglicerídeos. Lignanas em geral reduzem colesterol total e colesterol da LDL e aumentam colesterol da HDL. SDG e seus metabólitos tem atividade antioxidante. Linhaça e óleo de linhaça não tem atividade antioxidante, exceto no que eles suprimem a produção de radicais de oxigênio em leucócitos. Óleo de linhaça/ALA têm efeitos variados em mediadores/marcadores inflamatórios com interleucina 1-beta, IL-2, IL-4, IL-6, IL-10, TNF-alfa, interferon gama, proteina C-reativa e amilóide A. Doses de ALA menores que 14g por dia ou mais reduzem mediadores inflamatórios. Oleo de linhaça diminui molécula 1 de adesao intracelular, e-selectina solúvel e fator estimulante de colônia de monocitos. Linhaça tem efeitos variáveis em IL-6, proteína C reativa de alta sensibilidade, molecula 1 de adesão vascular celular ou proteina quimioatrativa para monocitos. Linhaça tem uma pequena atividade hipotensora, porém óleo de linhaça não diminui pressão arterial. Entretanto, SDG é um agente hipotensor potente. Óleo de linhaça inibe agregação plaquetária e aumenta tempo de sangramento. Linhaça e FLC não tem efeitos no sistema hematopoiético. SDG é um potente antiangiogenico e antiapoptotico e pode ter um papel na cardioproteção em doença cardia ca isquemica. Em conclusão, linhaça, FLC e SDG, mas não óleo de linhaça, suprimem aterosclerose, e FLC e SDG retarda progressão de ateroscelrose mas não reverte a aterosclerose instalada. Óleo de linhaça inibe produção de radicais livres de oxigênio em celulas brancas do sangue, prolonga tempo de sangramento e em doses maiores, suprimem mediadores inflamatorios. No final das contas, há benefícios da linhaça em saúde humana. Consumir regularmente? eu consumiria a linhaça também por conter outros produtos na composição, como fibras. J Cardiovasc Pharmacol 2009;54:369–377.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ciência e Deus

Há uma suposição que a ciência nos afasta de Deus. Não acho que seja assim. Quanto mais eu estudo e mais me aprofundo no conhecimento das moléculas que movem a vida, mais eu acredito que existe não apenas uma grande força por trás disso tudo, mas uma imensa inteligência. Nos últimos meses eu venho estudando mais para me aprofundar e me preparar para 2010 quando começarei a minha pesquisa em câncer. Não é mais surpresa para mim entender mecanismos que imaginava complexos mas se mostram muito simples, na verdade a ciência me aproxima de Deus e me faz cada vez mais admirar ao Senhor. Não apenas a complexidade, mas a lógica e a criatividade são imensas. Já se perguntaram o que existe por trás do universo? Não do ponto de vista força maior, mas do ponto de vista inteligencia perfeita. Considero Deus a inteligencia perfeita. Para fazer o universo como ele é, para montar o quebra cabeças das moléculas na vida como ela é, bioquimicamente maravilhosa, imperfeitamente linda, perfeitamente complexa. É como um recordista universal de queda de dominós, sempre um mecanismo leva a outro, outro e a interligação se torna cada vez mais lógica e inteligível. Vejo Deus como uma força, mas mais como uma força, vejo Deus como uma inteligência perfeita. Criativa, lógica, matemática, intuitiva... onisciente. Por isso entender a bioquimica me aproxima de Deus, só assim posso entender como a vida é. Porém mais que isso, Deus é a inteligência por trás do universo. Que inteligência...

domingo, 22 de novembro de 2009

Proliferação celular

A proliferação celular parte da premissa que a célula necessita estimular a rota biossintética e produzir o que convencionamos chamar de esqueletos de carbono. São esqueletos de carbono os aminoácidos, os carboidratos (deoxiribose e ribose), ácidos graxos e outros. Quanto analisamos o metabolismo celular, entendemos que a rota glicolitica é uma rota que produz energia mas também produz esqueletos de carbono para a biossíntese. De forma interessante, a glicólise anaeróbia é a rota de maior produtividade de esqueletos de carbono, porém a glicólise aeróbia, que completa a anaeróbia também produz esqueletos de carbono. Um produzido pela via aeróbia é o alfa-ceto glutarato que dará origens a inumeros aminoácidos não essenciais para a formação de estruturas, mas também para a produção de substratos enzimáticos, o mais conhecido talvez seja a arginina. Claramente uma célula diferenciada usa preferencialmente a glicólise aeróbia em função de maior rendimento de energia, mas também em função da menor demanda de esqueleto de carbono. Uma célula altamente proliferativa se comporta de forma adversa, priorizando a via glicólise anaeróbia, produzindo menos ATP, mas produzindo mais esqueletos de carbono para biossíntese e proliferação. Esta via geralmente é estimula pelo TOR ou pelo Akt, estes estimulos fazem com que a célula priorize a via glicolise anaerobia produzindo mais esqueletos de carbono estimulando as enzimas no citoplasma da célula levando a estimulo da proliferação. Em atletas anerobios, o exercicio resistido é um mecanismo estimulado pela via TOR e glicolise anaerobia. As células neoplásicas se comportam de forma semelhante a celula proliferativa, gerando capacidade biossintética maior e isso explica sua capacidade de reprodução aumentada e seu alto grau de invasibilidade. Estudos hoje focam TOR para inibição da atividade glicolitica anaerobia na célula neoplásica, diminuindo sua capacidade biossintética. Ao mesmo tempo, a célula neoplásica, bem como a célula proliferativa, utilizam em menor grau a glicolise aerobia, produzindo menos radicais livres, pois estes são produzindos principalmente dentro da mitocondria quando a célula completa o ciclo oxidativo, daí células altamente proliferativas e cancerígenas parecem produzir menos radicais livres, este pode ser outro alvo interessante para tratamento. Imaginamos que uma célula que produz poucos radicais livres tem baixa atividade antioxidante em função da demanda normal, daí um estresse oxidativo brusco pode ser altamente benéfico nas células neoplásicas, mas também pode afetar de forma significativa as células proliferativas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Atualizações

A leitura diária é por demais cativante. A dança de artigos cientificos em minha mente é como um caleidoscópio, envolvente. Novas idéias vão prosseguindo e novos projetos vão se brotando. No último grupo de estudos nós discutimos aqui em Campinas a enxaqueca. A enxaqueca é multifatorial, temos vários gatilhos desencadeantes, porém parece que os estudos levam a uma espoleta apenas, o peptideo relacionado ao gene calcitonina. Este gatilho é disparado por vários mecanismos que podem variar do estresse ao hormonio e acaba tendo um efeito na dilatação de artérias e na inflamação no SNC. Outro mecanismo que julgo diferenciado é o mecanismo mitocondrial. Estudos indicam que há enxaquecas que não respondem a nenhum dos medicamentos tradicionais, daí este tipo de enxaqueca parece responder a coenzimas mitocondriais, como a coenzima Q10 e a riboflavina. A próxima evolução de droga para enxaqueca será um bloqueador de peptideo relacionado ao gene da calcitonina, aguardem e vocês verão. Outros dados interessantes de atualização serão feitos no curso do dia 12, mas há uma clareza muito grande hoje sobre o papel da mitocondria no cancer, mais do que antes e também do perfil metabólico diferenciado da célula neoplásica e a célula normal. Isso me deixa muito feliz, cada vez mais feliz porque meu alvo no proximo ano é estudar um tratamento eficaz e quanto mais sabemos sobre a bioquimica e as diferenças, mais fácil é atingir o alvo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Alimentos e contaminantes

Olá, as vezes em minhas aulas eu recomendo acessar a ACSH, é um site interessante, segue o link para um texto que eles colocam todo ano sobre alimentos e contaminantes típicos do jantar de natal nos EUA.
http://www.acsh.org/publications/pubID.1743/pub_detail.asp

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