sábado, 31 de outubro de 2009

Serotonina e Glutamato

A serotonina e o glutamato são interrelacionados. Quando metabolizamos o triptofano, este pode ser metabolizado para produzir serotonina/melatonina. No caso da atividade da indoleamina dioxigenase e da triptofano dioxigenase, ambas metabolizam o triptofano e o 5-hidroxitriptofano para produzir derivados quinurenina ou quinolínico. O caminho é interessante, quando produzimos quinolinico o quinolinico estimula neurotransmissão glutamatérgica, daí o efeito acaba sendo de excitação. Quando produzimos serotonina a partir do triptofano, temos o efeito de diminuição da agressividade e ira. Aumento de glutamato temos aumento da agressividade e ira. Mas a ironia não para por aí, o glutamato é fonte de gaba, daí podemos ter um neurotransmissor inibitório produzido a partir de um neurotransmissor excitatório. Como direcionar? acho que no futuro nós agiremos principalmente no que podemos chamar sistema metabotrópico e não em receptores. Há alguns indícios por exemplo de inibição metabotropica de glutamato e diminuição de mania pela ação da N-acetilcisteína. No final das contas, o cérebro é ainda quele labirinto maravilhoso que nos surpreende a cada dia. Querem controlar a ira e a agressividade no indivíduo? omega-3, n-acetilcisteína, magnésio, glicina. Se quiser, aumente a produção de serotonina no cérebro usando o caminho triptofano/5-hidroxitriptofano.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dieta

Sou farmacêutico e, como farmacêutico eu uso suplementos. Mas leio muitos artigos publicados sobre dietas e vou dar minha posição com referencia a suplementos e dietas. O ideal seria que nós apenas tivessemos os alimentos como fontes de nutrientes, todos, tanto calorias como vitaminas, minerais e fitoquimicos. Ocorre que não conseguimos isso, principalmente quando estamos com distúrbios metabólicos. Inumeros fatores interferem para que tenhamos uma dieta ideal, mas podemos ter uma dieta próxima ao ideal e complementar. Talvez tenhamos que mudar o conceito de suplemento para complemento. Eu defendo a idéia de que, no futuro, de posse de informações como nutrigenômica, farmacogenômica e composição de alimentos, no futuro todos tenhamos que complementar a dieta, uma dieta personalizada. Vamos ver um exemplo, eu sou hipertenso.. daí minha dieta deve ser uma dieta especial, rica em flavonóides, polifenóis, magnésio, potássio, vitamina D, vitamina K, omega-3. Para dizer o minimo. Mas a minha dieta protéica deve ter arginina ou bcaa para que eu faça arginina no meu corpo a partir do ceto-glutarato. Mas fibras solúveis também serão interessantes, fitoquímicos como alho, baixar colesterol ou mantê-lo sobre controle estrito, controle de peso com alimentos sacietogênicos, nunca devo ter insuficiência de ácido fólico. Bem, isso é parte da dieta que talvez deva ser complementada, talvez com ácido fólico, vitamina K, etc. Vejo em alguns casos uma descaracterização de valores. A dieta é mais importante que o suplemento (complemento), o suplemento deve apenas complementar a dieta e completar o procedimento. Dou aula sobre suplementos alimentares mas não defendo o uso destes isoladamente e indiscriminadamente, eles são ótimos quando associados a uma dieta ótima. Vejo também "receitas" de suplementos imensas... sou contra. Quem dá muita coisa não sabe o que faz.. eu sempre defendi que o tamanho da receita é inversamente proporcional a competência de quem prescreve. Lógico que há exceções, principalmente pacientes idosos com múltiplas doenças, mas vejo o mesmo com suplementos. Rogo a vocês, trabalhem a dieta do paciente, complemento com o suplemento. Só isso. Não façam do suplemento o alimento do indivíduo. Estudem os novos artigos sobre dietas, são excelentes, há estudos de dietas para inumeras patologias focando em compostos bioativos nos alimentos.

Glutamato

A neurotransmissão glutamatérgica em receptores tipo NMDA é uma neurotransmissão excitatória e as vezes associada a disturbios de comportamento em doenças neurológicas e psiquiátricas. A neurotransmissão glutamatérgica em excesso é associado a agressão, irritabilidade. Em algumas doenças é associada a neurodegeneração. Este tipo de neurotransmissão é uma neurotransmissão que abre canais de cálcio para propagar a despolarização. Entrada de cálcio por abertura de canais de glutamato. Bem, o cálcio pode ser parcialmente bloqueado por magnésio. Daí o magnésio pode mostrar efeitos ansioliticos por este mecanismo e isso é observado em estudos de suplementação de magnésio. Bem, outra forma é a glicina que é um coefetor. O receptor de glutamato tem dois coefetores, um é a d-serina e o outro é a glicina, só que a glicina tem um efeito menor, daí quando colocamos mais glicina o efeito acaba sendo inibitório. Os estudos clínicos mostram que realmente isso ocorre, a glicina tem efeito ansiolítico. Um modulador de canal de cálcio é o omega-3, isso foi estudado em função de dados mostrando que o uso de omega-3 era associado com uma prevalencia menor de homicidios na população, também um efeito no glutamato. Além disso o omega-3 também tem, pelo menos em animais, aumentado a produção de serotonina, que tem um efeito inibidor da agressividade, somando tudo o resultado são pacientes menos agressivos, menos ansiosos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Esporte

Suplementar praticantes de esporte de alto rendimento, ou mesmo melhorar o desempenho de atletas iniciantes ou amadores não é complicado. Existem trabalhos científicos publicados validando o uso de carboidratos, proteínas, cafeína, bcaa, aminoácidos isolados outros, isotonicos e flavonóides nos praticantes de exercício. O ultimo trabalho interessante que li foi sobre a Quercetina, melhorando o desempenho no treino por atuar como anti-inflamatório e diminuir a lesão e dor. Outro dado interessante é associado a deficiencias nutricionais, aí a nutricionista é muito importante porque o atleta não pode ter deficiencia nutricional. Por exemplo, a deficiencia de vitamina D diminui a força e a deficiência de selênio também. Correções nutricionais para otimizar a dieta são fundamentais. Dia 28 farei curso de suplementos no esporte, a arrecadação será voltada para comprar cestas de alimentos. Se voce puder participar do curso e doar eu agradeço. Será em Campinas-SP.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Linha tênue

Bem, não sei se me tornarei repetitivo, mas insisto sempre em falar sobre a falsa segurança de alguns suplementos. A linha divisória entre um suplemento e um tóxico é quase tão estreita quanto a de um medicamento e um tóxico. Vamos começar com o selênio que quase todos acham que os pacientes precisam usar. Na verdade o solo é a real fonte de selênio para nosso corpo, por intermédio das plantas. Se vivemos numa área onde o solo é rico em selênio, teremos selênio em nosso corpo, talvez em excesso. Há muito os pesquisadores comentam que nos EUA onde o solo é o solo tido como o mais rico em selênio no planeta e na Tailândia onde o solo é o mais pobre, a prevalência de câncer de mama é semelhante. Há também os dados de selenio aumentando risco de câncer de pulmão, diminuindo de câncer de próstata, mas uma verdade é concreta. Deficiência de selênio causa hipotiroidismo e excesso de selênio causa hipotiroidismo. O ferro é outro bem conhecido, metal de transição, cataliza reação de Fenton e gera radical hidroxila a partir de peróxido de hidrogênio e então o ferro em excesso é altamente tóxico e associado a doença cardíaca e diabetes. A deficiência também é problemática, diminuição de atividade de enzimas oxidativas, baixa de metabolismo aeróbico, diminuição no nível de neurotransmissores. O cálcio é outro exemplo interessante, falta de cálcio dá sintomas semelhantes a depressão, por sua participação no metabolismo neuronal. Fraqueza muscular é também parte da deficiência de cálcio. O excesso de cálcio é preocupante em algumas populações, como por exemplo a mulher pós menopausa. O cálcio ionizado tende a depositar em sítios ectópicos, daí o excesso de cálcio em desequilíbrio com fatores calciotróficos leva a, por exemplo, calcificação de placas ateroscleróticas. Arginina em excesso como suplemento pode desencadear ataques mais frequentes de herpes labial. Triptofano em excesso ou em desequilíbrio pode aumentar a neurotransmissão glutamatérgica via formação de ácido quinolínico, ou o próprio glutamato, que por sí é um neurotransmissor, mas também é precursor de GABA. O organismo é complexo e lindo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Informação e Solidariedade

Olá, eu pessoalmente acredito em ajudar os outros. Por qual outro motivo escreveria neste blog informações que penso podem contribuir com cada um que lê meus escritos? Bem, todo ano faço um evento para arrecadar cestas de alimentos para a população do vale do Jequitinhonha em parceria com o Luiz Carlos, um contador que teve uma visão. Acredito também em visões. Desculpem ocupar este espaço para isso, mas estou divulgando o curso de suplementos em esporte a ser realizado no dia 28 de novembro de 2009, das 9 as 17 horas em Campinas. Falarei sobre Whey protein e outras proteinas, aminoácidos, minerais, carboidratos em atletas. Convido-os a participarem do curso ou a doarem cestas de alimentos para nosso projeto. Segue abaixo o programa, muito obrigado por contribuirem. Ah, antes que me esqueça, ajudem a divulgar.

Suplementos No Esporte


Objetivo – mostrar e comentar os trabalhos científicos associados a melhora de desempenho em atletas.


Programa
Proteína do soro do leite e outras proteínas
BCAA
Arginina, Ornitina, Glutamina
BetaAlanina
Maltodextrina, Dextrose, D-ribose.
Complexo B
Fitoquimicos (crisina, resveratrol, maca, etc).
Eletrólitos e água
Cafeína, Creatina e Carnitina.


Palestrante
Henry Okigami, farmacêutico, especialista em farmácia hospitalar, especialista em homeopatia, especialista em administração de serviços de saúde. Consultor em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos na industria alimentícia e farmacêutica. Diretor de pesquisa e desenvolvimento da Biominerais. Consultor da Probiotica Labs. Consultor da Tsuru do Brasil. Diretor da Science Solution – Desenvolvimento em nanotecnologia e revestimento.

Data - 28 de novembro de 2009 das 9h às 17h em Campinas-SP.

Investimento – R$ 100,00 (cem reais). Depositar o valor de R$ 100,00 (cem reais) na conta poupança 00960-5/500 do Banco Itaú, Agencia 1370. e enviar fax do depósito com dados completos (nome, especialidade e e-mail) para o Telefone (019) 32780348 ou (019) 33056604 ou para o e-mail ancar.cont@terra.com.br

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

TOR

Bem, completando a postagem anterior, o metabolismo via glicolise anaeróbica é estimulado via estimulo de TOR e HIF. O estimulo destes sistemas leva a um aumento na expressão de enzimas associadas a este metabolismo que leva a uma geração de mais esqueletos de carbono para a replicação celular, lembrando que também via formação do cetoglutarato ao finalizar o ciclo do ácido tricarboxílico formaremos com o uso da transaminação via BCAA, glutamato, glutamina, citrulina, ornitina, arginina e prolina, bem como as bases purinas e pirimidinas. Tudo bem desenhado no corpo. Além disso, TOR também é um alvo para metabolismo proteico, leucina e insulina estimulam TOR e daí temos também um envolvimento de TOR no metabolismo e consequentemente ganho de massa muscular. Por outro lado, o aumento na glicolise anaeróbica levará a maior formação de lactato, que será exportado da célula para o meio externo, alcalinizando a área peri-celular da célula sob este tipo de metabolismo, isso pode interferir com a matriz extracelular, que por si só inibe a replicação de células, tornando mais fácil a replicação destas células. O metabolismo é algo lindo de se estudar, cada vez eu me fascino mais e mais com o que leio e descubro. Inibir TOR, inibir HIF mudarão o perfil de metabolismo das células neoplásicas e talvez seja um caminho para tratar cancer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cancer e glicose

A glicose é geralmente o substrato metabólico mais utilizado por nossas células e sofre glicólise no citoplasma e na mitocôndria fornecendo energia e carbono para o metabolismo anabolizante requeridos para a manutenção, desenvolvimento e reprodução celular. Glicólise no citoplasma oxida até duas moléculas de piruvato fornecendo duas moléculas de ATP e NADH por mol de glicose consumidos. Imaginem vocês que este metabolismo, a glicólise anaeróbica, além de fornecer ATP e NADH, fornece também carbono para o metabolismo anabolizante, estes carbonos são utilizados no metabolismo da célula para direcionar o crescimento e proliferação do tecido ou simplesmente para manter as funções celulares. O piruvato pode ser utilizado pela mitocôndria fechando o metabolismo aeróbico ou simplesmente sofrer ação da desidrogenase lática e fornecer o lactato, que também pode ser usado na mitocôndria ou pode simplesmente ser exportado, quando em excesso para fora da célula. O cérebro usa preferencialmente o lactato no metabolismo, pelo menos segundo artigos publicados. Bem, no ambiente normal, como oxigênio, o piruvato vai até a mitocôndria e termina o ciclo do ácido tricarboxílico, formando gás carbônico e mais ATP e NADH. Esta oxidação gera elétrons e metabolismo oxidativo, via transporte mitocondrial, os elétrons são exportados da mitocôndria para citoplasma, este metabolismo gera mais energia e também mais radicais livres e demanda mais antioxidantes, porém este metabolismo aproveita melhor o esqueleto de carbono da glicose e não gera tantos esqueletos de carbono como a glicólise anaeróbica para gerar crescimento e replicação celular. Os metabólitos que sã ogerados na glicolise anaeróbica são importantes para construção do esqueleto de carbono de moléculas importantes para a produção celular, além disso, o ciclo da pentose geral ribose necessária para síntese de ácidos nucleicos e também NADH para reduzir reações oxidativas. O ciclo do ácido tricarboxílico també participa no anabolismo, fornecendo metabolitos como o oxalacetato e alfa-cetoglutarato. Lembrem que podemos produzir aspartato a partir do oxalacetato (lembram da TGO?) e também podemos gerar a partir do alfa-cetoglutarato (usando BCAAs) glutamato, glutamina, citrulina, ornitina, arginina e prolina, e a partir destes purinas e pirimidinas. Os ciclos de formação de energia são também ciclos de produção de tijolos básicos para o metabolismo do esqueleto de carbono para anabolismo do tecido. EStudos tem indicado que as células neoplásicas e as células em tecidos em desenvolvimento tem um ciclo de metabolismo diferenciado. Particularmente as células neoplásicas tem uma alteração metabólica, induzida por TOR e HIF que levam o metabolismo celular, estimulando enzimas citoplasmáticas a preferencialmente consumir a glicose via glicólise anaerobica, gerando lactato, podendo ser de 30 a 40 vezes maior que no tecido periférico não maligno. O metabolismo alterado leva a célula neoplásica a ter um processo anabolizante mais acelerado, visto que este processo leva a uma produção maior de tijolos básicos para o esqueleto de carbono das células, além de fornecer menos energia, o que leva a célula neoplásica a uma adaptação metabólica, captando mais glicose (há dados que mostram presença de receptores GLUT1) e somando a avidez por carboidratos e o estimulo do metabolismo construtivo no esqueleto de carbono, temos uma replicação celular com uma demanda aumentada suprida por alterações metabólicas associadas a TOR E HIF. Em tempo, a célula neoplásica com estas características tem uma taxa menor de formação de radicais livres porque o metabolismo mitocondrial está diminuido. HIF e TOR são alvos de tratamentos anti-cancer que estão sendo pesquisados atualmente.

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