sábado, 27 de dezembro de 2008

Hormese

Hormese, segundo eu entendi é um processo adaptativo do organismo, que leva a benefícios outros associados, não apenas aquele mirado na adaptação. Vamos exemplificar. Por exemplo, o exercício aeróbico. Quando iniciamos atividade aeróbica, aumentamos a nossa capaciade física, capacidade pulmonar e cardíaca. Ora, isso tudo é feito voltado para a melhora da performance, é uma adaptação do nosso organismo. Bem, porém com isto vem alguns outros benefícios, por exemplo, melhora da perfusão como um todo leva a melhora da perfusão em todos os vasos do corpo, melhorando por exemplo fogachos e sudorese noturna em mulheres pós-menopausa. O mesmo serve para exercício de resistencia, melhora a densidade mineral óssea e equilíbrio, além de melhorar a função osteoarticular. Onde tudo isso é importante? Devemos analisar o resultado ao usar a hormese para o benefício do paciente. Por exemplo, eu acredito firmemente que o exercicio de resistencia em cima de um tendão especificamente levará o tendão a aumentar sua resistencia, o que isso pode beneficiar o individuo? aumentar a resistencia do tendão é importante também em exercício aeróbico. Por exemplo atletas que praticam exercício aeróbico podem reforçar tendões especificamente com exercício de resistencia no grupo de tendões alvos. Isso pode ser importante para melhorar a resistencia a lesões. Além disso, eu acredito também que o estrogeno é o importante na hipertrofia do tendão, bem como também na recuperação do tendão, porém não usamos estrogeno para isso. Eu usaria. Devemos usar os hormonios para melhorar os pacientes, eu sou a favor de uma TRH bem feita, nas próximas postagens eu postarei algo sobre TRH.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Arginase, arginina

Ando lendo muito sobre envelhecimento, aliás há vários anos. Postei no orkut algo esta semana. Bem, há alguns anos me deparei com um dado interessante sobre o envelhecimento e doença cardíaca, acredito sinceramente que com o envelhecimento, independente da proteção em si, somos jogados num risco cardíaco mais elevado. O maior exemplo é o desacoplamento da NOS que começa a produzir superóxido. A produção de superóxido aliada a menor produção de óxido nitrico leva a uma queda do óxido nitrico disponivel, o superóxido reage com o óxido nítrico neutralizando o mesmo formando peroxinitrito. Some a produção diminuída, a neutralização aumentada. Some que o peroxinitrito reage nitrificando proteínas no resíduo de tirosina ou fenilalanina, daí temos proteínas anomalas. Some tudo isso ao fato de que a diminuição do óxido nitrico leva a aumento na agregação plaquetária, migração de macrófagos. Temos então uma trilha pavimentada para aterosclerose. Com o envelhecimento a arginase aumenta sua atividade, ou seja, o caminho de produção de óxido nitrico é diminuido e o caminho para o ciclo ornitina/citrulina/arginina é aumentado, aumentando o caminho para produção de prolina e pirrolidone-carboxilato. Bem, o que dá nisso tudo? formação de tecido fibrotico, ou seja, deposição de proteína colágeno nas artérias. Some isso a tensão oxidativa aumentada, a glicemia do idoso, a geração de peroxinitrito. Aumento nas pontes de ligações cruzadas de proteínas, proteínas nitrificadas, proteínas glicadas, crosslinks aumentados, fibrose, diminuição da elasticidade das artérias. Some isso a queda da produção de enzimas antioxidantes que ocorre com o envelhecimento, a tensão de atrito e a tensão de expansão que sofrem as artérias que gera tensão oxidativa que gera radicais livres. Some tudo. Tensão oxidativa aumentada no idoso, diminuição das enzimas antioxidantes, diminuição de produção de óxido nitrico, aumento na produção de proteínas, aumento na glicação destas proteinas, aumento na nitrificação destas proteínas.... Aterosclerose.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Oxidação

Ainda comentando sobre o curso do dia 13. O Mário Hirata mostrou um dado interessantíssimo, com o envelhecimento a expressão das enzimas antioxidantes caem todas. Vão caindo com o envelhecimento e o que resulta deste fato é uma defesa antioxidante menor, sugerindo que o idoso necessitaria de consumir antioxidantes em maior quantidade que o individuo jovem. Eu acredito firmemente que o processo de envelhecimento é antes de tudo uma adaptação, no processo evolutivo, o envelhecimento deletério foi excluido de forma gradativa e foi selecionado uma espécie que teria um envelhecimento compatível com a sobrevivencia da espécie, isso é lógico que para milhares de anos atrás. Hoje não é bem assim, mas eu sempre cito em minhas aulas o descoplamento de NOS que começa a fazer radical livre superóxido, daí este desacomplamento levaria a aumento de produção de superóxido e consequentemente num aumento na defesa contra infecções bacterianas, e ao mesmo tempo, numa cinética interessante, as artérias periféricas seriam mais afetadas do que as cerebrais, equilibrando uma melhor perfusão ao sistema nervoso central, preservando melhor as funções cognitivas. Há também que se considerar o aumento da atividade da arginase desequilibrando o metabolismo ainda mais, só que fazendo prolina e levando a deposição de fibras nas artérias, ou seja, aumentando a camada de fibras que seriam responsáveis também pela rigidez das artérias, mas também pela maior resistencia, levando ao mesmo tempo um aumento da pressão arterial, mas uma diminuição no risco de rompimento das artérias por este aumento da pressão, protegendo contra acidentes vasculares hemorrágicos. Tudo muito lógico. Isso é o envelhecimento, pelo menos no meu conceito.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Dia 13 de dezembro

Dia 13 de dezembro houve o evento para arrecadação de cestas para população carente. Iniciativa de um amigo. Arrecadamos 80 cestas, mas ainda estamos recebendo doaçoes. As aulas foram todas excelentes. Particularmente vou comentar uma aqui, a do meu amigo Yamada. Ele é agrônomo e é especialista em nutrição de plantas. Eu converso muito com o Yamada sobre nutrição humana, ele adora o tema. Bem, a aula dele centrou em alguns dados sobre a agricultura moderna. Na agricultura moderna de grandes áreas, geralmente é usado o plantio direto, que usa herbicidas, os glifosados, que quelam niquel na planta e diminui a disponibilidade deste para o metabolismo da planta. A grosso modo, os macronutrientes não são muito afetados, mas a síntese de derivados metabólicos da cadeia do ácido chiquimico são alterados, ou seja, fenilalanina, triptofano, tirosina e fitoalexinas. Imagine que a proteina de uma planta cultivada desta forma pode ter menos destes aminoacidos formadores de neurotransmissores. Imagine também que fitoalexinas são polifenóis, flavonóides, isoflavonas, flavonols e estilbenos (resverarol). Ou seja, a planta cultivada desta forma produz menos antioxidantes. E não é só isso, produzirá menos terpenóis e produtos derivados secundários do nitrogenio. Terpenóis são os óleos essenciais, e produtos derivados secundários do nitrogenio podem ser os alcalóides ou mesmo os glucosinolatos e isotiocianatos, ou o indol 3 carbinol. Todos estes elementos essenciais a saúde humana, não ao crescimento, mas a manutenção da saúde, veja o indol 3 carbinol, que é um quimiopreventivo de cancer. Ou glucosinolatos que estimulan a produção de glutationa no fígado, sendo um antioxidante indireto. Ou flavonóides que tem atividade antioxidante, melhoram produção de óxido nitrico. Todos elementos importantíssimos a nossa saúde. Além disso o Yamada mostrou também dados que contradizem os nutricionistas clássicos, ou seja, pelo menos no tocante a minerais e oligoelementos, não encontraremos tudo nas plantas. Vamos pegar o zinco. Trigo plantado em solo rico em zinco terá mais zinco que trigo plantado em solo pobre em zinco. Isso é verdadeiro para outros minerais, porém há coisas piores. O selênio por exemplo não é essencial diretamente para a planta, ele é essencial apenas na rizosfera, ou seja, na área que circunda a raiz, para assimilação de nitrogenio, mas a planta não precisa ter selenio na sua estrutura, pois não há papel essencial para o mesmo. Ele só estará presente na planta se o solo for rico em selenio e ele for assimilado no lugar do enxofre, é mais ou menos como se fosse uma coincidencia a planta ter selenio, precisa coincidir do solo ser rico em selenio e da planta ter acúmulo de enxofre na sua estrutura. Por isso e outros eu sempre falo que não dá para ter uma dieta ótima hoje em dia.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Sinergia?

Hoje a farmacologia procura por medicações que possam trabalhar em sinergia. Por exemplo, ontem li um artigo sobre um inibidor da HMG-CoA redutase, como sinvastatina por exemplo e sua interação sinérgica com um antagonista de receptor de angiotensina II. A hipercolesterolemia aumenta a pressão arterial por mecanismos dependentes de tensão oxidativa e pode levar a doença cardíaca. A hipertensão arterial por sua vez piora o quadro. Ambos teriam efeito sinérgico no paciente que resultaria no final das contas em prevenção de doença cardíaca, traduzindo em menos eventos. Eu acredito que devemos avaliar da mesma forma os nutrientes, não apenas em sinergia, mas também em compensação. Vejam o exemplo da cisteína, ou seu derivado n-acetilcisteína, que são usados para aumentar a síntese endogena de glutationa. Se eu der doses altas de n-acetilcisteína o paciente fará glutationa. Bem, pensando neste termos, o paciente pode fazer a partir da císteina a glutationa mas também a taurina. Por outro lado, a metionina pode dar origem a cisteína no ciclo de transmetilação e conversão de aminoácidos sulfurados. Daí metionina, n-acetilcisteína e taurina parecem ser aminoácidos que, se administrados serão fontes do mesmo caminho, porém estudos indicam que, se eu der taurina o individuo aumenta a glutationa. Se eu der n-acetilcisteína o individuo aumenta glutationa. Se eu der metionina, ainda não tenho dados corretos, mas se eu der metionina, a cisteína não volta para fechar o ciclo sendo metilada pela metilenotetraidrofolato redutase, daí a cisteína não será fonte de metionina. Como metionina e taurina são mais baratos que a n-acetilcisteína, talvez dar os tres poderia ser benéfico a saude e ao bolso do paciente. Imagine que há também estudos mostrando que a glutamina é fonte de arginina, e vice-versa. Devemos analisar a sinergia bioquimica antes de suplementar adequadamente um paciente, ou mesmo manipular sua dieta. Não é de hoje que sabemos que dieta restritiva de sal é sinergica com suplemento de potássio e que suplemento de magnésio é sinérgico a suplemento de potássio, todos no tratamento de hipertensão arterial. Estes funcionarão ainda melhor em mulheres, hipertensas, idosas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Metais tóxicos

Amanhã farei uma aula de metais tóxicos em curso de pós-graduação anti-envelhecimento. Podem-se perguntar porque. Mas falarei de minerais, oligoelementos e metais tóxicos. Devemos sempre analisar o valor limite dos elementos no corpo. Vejam só as interrelações interessantes. Quando o individuo tem patologias especificas, por exemplo desordem de hiperatividade com déficit de atenção, o chumbo, mesmo em quantidades pequenas pode causar problemas no desempenho cognitivo. Pensem isso num paciente idoso ou com doença de Alzheimer, acredito ser muito parecido. O mesmo pode funcionar num paciente com depressão ou tendencia a depressão, peguemos um polimorfismo para triptofano beta hidroxilase. A deficiencia de elementos hidroxilantes ou mesmo cromo ou lítio pode piorar os sintomas, some isso a deficiencia de triptofano na dieta ou ácido fólico ou piridoxina, some isso a uma inflamação ou aumento de citocinas, inibindo a indoleamina dioxigenase, dana-se tudo. Bem, vamos num raciocínio mais simplista, um déficit de selenio associado a aumento de mercúrio, sabemos que o selenio detoxifica naturalmente o mercurio, um déficit de selenio pode ser associado a tensão oxidativa elevada, aumento de mercúrio, mesmo em concentrações baixas, dentro dos limites pode resultar em lesão bioquimica. Vamos além se este individuo tiver deficiencia nutricional, com baixa de ácido fólico e/ou baixa ingestão de metionina. O processo pode ser agravado por menor produção de glutationa. Então posso pressupor que quem tem homocisteína elevada no sangue, soma a baixa de selenio, há uma toxicidade sinérgica que acabará no final das contas aumentando a toxicidade de mercúrio. Há outros exemplos, muitos. Peguem o excesso de cálcio em idosos, que pode causar toxicidade neuronal em pacientes com mal de Alzheimer. Se este paciente tiver homocisteína alta, ele terá tendencia a demencia, piora da demencia de forma adicional, se estiver usando alta quantidade de cálcio, a demencia pode ser piorada mais ainda. Meio sinérgico, lindo, maravilhoso.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ornitina, citrulina e arginina

A cada dia que leio, mais dou importancia ao uso de citrulina e ornitina junto com a arginina. Hoje li um artigo legal sobre a aplicação de ornitina em fadiga muscular. Os dados mostram uma melhora no exercício máximo de ciclismo em relação a periodo sem uso de ornitina. Outro trabalho anterior correlacionou o uso de arginina, mas de forma interessante, uma associação direta entre o nivel plasmático de citrulina e a fadiga muscular, quanto mais alto o nivel de citrulina, menor a fadiga. O uso dos tres associados pode ser um bom ponto para se trabalhar fadiga, o trabalho de ornitina cita que a ornitina libera hormonio de crescimento e este pode ser parte do seu mecanismo de ação, o outro estaria associado ao ciclo da uréia e detoxificação da amonia. Então se for assim, citrulina e ornitina serão aminoácidos para o futuro controle da fadiga. Hoje também li que o suplemento de creatina inibiria o metabolismo de inositol no músculo, isso no meu raciocínio diminuiria os canais IP3 que controlam a saída de cálcio do retículo sarcoplasmático para contração muscular, lembrem-se que actina e miosina se ligam com a presença de cálcio e a sua ausencia tem a ver com fadiga muscular, mas não é o tema de hoje. Imaginem que o uso de creatina diminui o nivel de inositol fosfato e canais IP3. Pode em outras palavras, retardar a contração muscular e até mesmo a velocidade de condução nervosa, por isso acho que se se administrar creatina, o inositol pode ser importantíssimo. Outro fato, vou acompanhar os atletas do Jaime Neto, ou seja, os que correm até 400 metros, daí eu estar revirando tudo sobre este tema.

domingo, 30 de novembro de 2008

Arginina e Glutamina

No numero de dezembro do Journal of Nutrition, há um trabalho sobre suplemento de arginina e glutamina. O trabalho avaliou por biopsia a produção de fator de necrose de tumor alfa e fator nuclear k-B em doença de Crohn. No frigir dos ovos, a conclusão é que o suplemento de arginina e glicina em altas doses estão associados a diminuição destes sinalizantes e outras citocinas. Abre um caminho para uso destes aminoácidos nesta patologia e outras, como colite ulcerativa. Há a necessidade de se avaliar num futuro próximo a interrelação entre glutamina, arginina, citrulina, ornitina, prolina e o bcaa. Há inegavelmente uma interrelação bioquimica entre todos, sendo que o bcaa doa o radical amino para o cetoglutarato para formar glutamato, glutamina que depois dá origem ao restante dos aminoácidos, citrulina, ornitina, arginina e prolina. A associação poderá dar resultados interessantes em uma extensa variedade de patologias, dentre as quais a doença de Crohn e a colite ulcerativa. No caso destas duas, a inflamação subjacente poderá ter um controle melhorado se utilizarmos procedimentos já conhecidos como a ingestão de fibras soluveis, quitosana, probioticos, zinco e o uso de fitoterapicos, eu particularmente recomendaria a Boswellia serrata, cujos ativos, ácidos boswellicos inibiriam inflamação a nivel de lipoxigenase, que teria um efeito muito bom nas patologias citadas. Outro produto relativamente seguro é o ácido butírico, talvez na forma de algum butirato, seria altamente útil para auxiliar no controle da doença, o problema é que o ácido butírico é liquido e não achei ainda no mercado produtos contendo butirato, por exemplo de cálcio ou magnésio.

sábado, 22 de novembro de 2008

Cheiros

Hoje foi interessante. Jantei com um amigo que é especialista em óleos essenciais. Bem, apenas para reviver os fatos anteriores. Ando estudando muito os óleos essenciais, acredito que serão muito úteis no futuro próximo para o tratamento de inúmeras patologias. Há estudos em animais e humanos mostrando a aplicação de alguns óleos essenciais e terpenos especificamente, monstrando inclusive modo de ação. Vamos pegar por exemplo o óleo de Salvia officinalis, de origem européia, que após inhalado mostrou melhora de memória nos pacientes idosos, e mais, mostrou melhora de humor em pacientes. Os efeitos podem estar associados ou não. A Lavanda e o Citrus aurantium mostraram ter efeitos calmantes nas populações que inhalaram o óleo essencial, mesmo a concentrações muito pequenas, dados indicam para estudo calmantes, por exemplo 5omcL. Há também os que teriam efeito analgésico, imaginem um óleo essencial analgésico (falta mas poderá ser identificado no futuro) onde voce inhala o mesmo e praticamente imediatamente melhora de uma enxaqueca ou de uma cefaléia. Há sim estas possibilidades. Hoje ficamos com os já estudados, até mesmo alguns anti-estresses, e o linalol, presente em várias plantas como o pau rosa ou o majericão doce, todos podem ter efeitos anti-estresse e calmante para uso em humanos no presente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Leucina, Glicose. Insulina

Esta semana foi publicado um artigo legal. Os pesquisadores administraram glicose, leucina e glicose e avaliaram o nivel de insulina e glicose nos pacientes. De forma interessante, quando administramos leucina e glicose, observa-se uma curva glicemica menor e uma nivel de insulina maior. Quando administrada sozinha, a leucina aumentou o nivel de insulina. Este efeito é interessante quando analisamos o potencial efeito no atleta. Lembrem-se, leucina estimula mtor. Insulina estimula mtor. Ambos estimulam de forma sinérgica, daí uma opção que pode ser interessante no atleta de resistencia é administrar leucina com glicose e o whey. Um trabalho anterior comparou whey e os aminoácidos essenciais e não essenciais em grupos isolados. Como resultado, observou-se um aumento no ganho de massa, medido pela captação de fenilalanina marcada pelo músculo. Se analisarmos os dois trabalhos somados, whey, glicose enriquecido com leucina pode ser uma boa opção para ganho de massa. Eu não costumo recomendar glicose no meio, mas o trabalho tende a mudar minha abordagem em ganho de massa, eu conseguiria um rendimento maior. Outro dado interessante é o fato de que a proteína hidrolisada pode induzir liberação de igf-1, daí um efeito sinérgico, insulina, igf-1 não pode ser descartado para melhora do resultado no ganho de massa. Acho que tudo isso deve ser avaliado e o grande diferencial em termos de resultado é o momento de administrar o produto. Penso que o momento é mais importante que o produto em si. A interação sinérgica é importante também, um conhecimento de bioquimica e fisiologia ajudariam bem.

domingo, 16 de novembro de 2008

Carnitina

Venho sistematicamente estudando a carnitina já há alguns anos, na verdade varios anos. Há trabalhos contraditorios sobre seu efeito, porém mais recentemente tem sido publicados trabalhos mostrando eficácia e comparação ao placebo. O motivo é bem simples, começou-se a triar o tipo de pesquisa a ser feita, bem como a dose usada tem uma avaliação prática mais pé no chão. Falo isso porque de alguns anos para cá, não se faz mais trabalhos com carnitina em baixa dose, partindo do pressuposto que a absorção é em torno de 15%, de uma dose de 1g espera-se a absorção de 150mg. O uso parenteral é sempre mais eficaz, daí os trabalhos tem usado ou dose ora grande (acima de 1g) ou parenteral. A dose para neuropatia diabética varia de 1g a 2g por dia, e há trabalhos com resultado já em 500mg, tem também demonstrado melhorar a atividade da insulina, bioquimicamente já comprovado. Há também estudos em fadiga central e fadiga muscular, principalmente em pacientes idosos. Estudos em doenças neurodegenerativas, doença cardiaca e outros. Mas eu vejo como altamente promissor o seu uso pós-hemodiálise, onde a diálise retira a carnitina da circulação sanguinea. Vejo também aplicaçoes boas como neuroprotetor e protetor mitocondrial. Na verdade ja há trabalhos nesta área com doença de Alzheimer. Em perda de peso há alguma coisa, mas ainda insipida, mas os estudos mostram efeito acima de 2g apenas. E não há mais aquela dúvida de dl-carnitina e l-carnitina, apenas a l-carnitina deve ser usada, ou seus derivados acetilados, propionados. A dl-carnitina, isomero racemico tem na verdade mostrado que a forma d compete com forma l e no final das contas o rendimento é minimo. Aquela historia que a dl-carnitina é para perda de peso ou outra coisa qualquer é invenção de quem não tem o que fazer.

domingo, 9 de novembro de 2008

Zinco....

Olá. O zinco tem sempre despertado a atenção geral por sua importancia como um oligoelemento. O zinco é fundamental para várias enzimas no corpo, dentre elas a superóxido dismutase citoplasmática e extracelular, fosfatase alcalina. A liberação de insulina pressupõe a presença de zinco, bem como a recepção de mensagens a partir de hormonios não peptidios ocorrem em zinc fingers ou dedos de zinco. Zinco é importantíssimo na síntese proteica e turnover celular. Todos tecidos que tem alto turnover (pele, hematopoiético, sistema digestivo) são penalizados com a deficiencia de zinco. Tido como um imunoestimulante, os estudos mais recentes mostram este efeito e mais, o efeito é maior quando há uma prévia deficiencia de zinco. Zinco é utilizado para melhorar a resposta imune em idosos e crianças e os estudos mostram até 30% de redução em infecções das vias aéreas respiratórias com uso de 20mg de zinco todo o dia em pacientes idosos. Vou mais além, acho que o zinco é um excelente antioxidante. Nâo apenas por sua participação em enzimas antioxidantes, mas também porque o zinco estimula a produção de metalotioneinas, que são proteinas ricas em terminasi SH e que por isso tem atividade antioxidante e detoxificante de metais (Cd, Hg, Pb, As, Cu, Fe). Por este motivo, doses altas de zinco são protetores antioxidantes diretamente. Uso tópico de zinco mostra efeito antioxidante por este mesmo mecanismo de metalotioneinas. Eu acredito muito também no efeito no fígado, doses orais de zinco, após serem absorvidas, terão um efeito indutor de metalotioneinas no fígado e teremos então proteção antioxidante hepática por duas vias, uma via o efeito antioxidante de proteinas SH e a outra a quelação de metais como Cu e Fe. Porém há também o outro lado da moeda, zinco em excesso cronicamente é associado a uma maior precipitação de proteína beta-amilóide, associado então a Alzheimer. E zinco em excesso, mas muito excesso pode mostrar efeitos imunossupressores. Trabalhos tem demonstrado que doses de 660mg de zinco por dia na forma de sulfato tem melhorado sintomas de artrite reumatóide.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Homocisteína

A homocisteína é cantada em verso e prosa como marcador de risco de doença cardíaca. Era moda até há alguns anos atrás. Bem, a homocisteína é uma molécula produzida naturalmente em nosso corpo no ciclo de transmetilação onde também temos a produção de cisteína e taurina a partir da metionina. Estes ciclos, metilação de neurotransmissores, metilação de glicosaminoglicanas, metilação de estruturas variadas (mais de 300) tem um duplo entendimento no nosso corpo. Se eu metilo menos, por vários motivos, eu teria menor formação de cisteína e taurina. Se eu metilo muito eu formo homocisteína. A homocisteína retorna a forma de metionina via ácido fólico/B12 e a enzima metileno tetrahidrofolato redutase ou via quimica pela betaína. Entender a implicação deste ciclo é interessante. Vamos lá:
1 - se eu metilo menos eu formo menos homocisteína, mas também formo menos glicosaminoglicanas e neurotransmissores, fosfatidilcolina, cisteína, taurina e portanto menos glutationa.
2 - se eu metilo suficientemente, tudo ok. Mas preciso voltar a homocisteína a metionina.
3 - se eu metilo suficientemente mas tenho deficiencia de vitamina B6, eu formarei menos cisteína e taurina, automaticamente, formarei menos glutationa e enzimas que dependem do SH.
4 - se eu metilo suficientemente mas tenho deficiencia de vitamina B12/folato/metileno tetrahidrofolato redutase (qualquer um deles), eu acumulo homocisteína.
5 - se eu tenho deficiencia neste ciclo de vitamina B12/folato/metileno tetrahidrofolato redutase, eu formo menos derivados destes produtos, um deles? o óxido nitrico, que precisa deste ciclo para ser produzido a partir de arginina. Penso que talvez a falta de folato seja o real risco da alta da homocisteina, e estudos mostram que cerca de 90% dos pacientes que tem homocisteína alta, corrige-se com ácido fólico.
6 - se eu tenho polimorfismo para metileno tetrahidrofolato redutase, eu voltarei com menos rapidez a homocisteína para metionina, automaticamente o corpo fica com duas opções, ou precisa de mais metionina ou cicla quimicamente a homocisteína para metionina com a betaína.

O raciocínio final é interessante, deficiencia do ciclo de metilação e transformação de aminoácidos sulfurados pode ter repercussões fantásticas na nossa bioquimica. Imaginem então uma população de risco com polimorfismo para metileno tetrahidrofolato redutase... Eles teriam menos metilação e menos transformação de aminoácidos sulfurados, menos cisteína, menos taurina e menos glutationa formados a partir da metionina. Por outro lado, poderemos no futuro identificar uma subparcela da população onde o suplemento de betaína poderá melhorar quadros de depressão, demencia e osteoatrite. Basta escolher a população certa. No final das contas, devemos sempre pensar que este ciclo metabólico influencia vários pontos da nossa bioquimica, grosseiramente falando: a produção de óxido nitrico diminui a perfusão, a repercussão pode ser deste uma aterosclerose até uma demencia isquemica, passando por diminuição da agregação plaquetária e diminuição na sensibilidade genital e impotencia erétil masculina. A diminuição de cisteína levaria a diminuição de glutationa, diminuição da capacidade antioxidante, detoxificante e maior risco de sintomas graves de mania e esquizofrenia. A diminuição de taurina levaria a um risco maior de tensão oxidativa no olho e coração, que podem culminar em arritmias e cataratas ou degeneração macular. E por aí vai...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Seguidores

Olá, adicionei no blog ao lado a opção seguidores para que eu possa saber quem lê meu blog com frequência. Sei que vários não vão se identificar, mas por favor, você que está sendo beneficiado com as informações do blog, por favor se inscreva.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cálcio

Hoje vou contar uma história que há um tempo eu venho defendendo. Sempre soubemos que o melhor momento para se suplementar ou induzir o indivíduo a ingerir cálcio por conta de perda de densidade mineral óssea é durante a fase de crescimento. Recentemente comecei a acreditar muito nisso, há mais ou menos 10 anos, li alguns artigos muito bons de cálcio e pré-eclampsia, prevenindo a pré-eclampsia em mulheres grávidas de risco, este trabalho foi feito no Irã. As mulheres tiveram uma prevalencia menor, em torno de 5 vezes menos pré-eclampsia, e um fato que me chamou a atenção, mais que o efeito em si do cálcio foi que as crianças no grupo suplementado nasceram com uma média de 500g a mais de cálcio. A pergunta é, o cálcio induziu crescimento? Ou as crianças no grupo não suplementado não cresceram porque a deficiencia de cálcio foi um limitante. Talvez os dois. O cálcio, sem vitamina D tem sido associado a menor pressão arterial, talvez seja este o efeito em pré-eclampsia, mas a pressão mais baixa pode estar associda a dilatação das artérias, o que poderia ser associado a irrigação placentária otimizada, mais nutrientes, mais crescimento. Mas um trabalho em jovens há mais ou menos dois anos, novamente me chamou a atenção, os jovens, suplementados acima da dieta com 1,2g de cálcio em rapazes e 300mg de cálcio em garotas, em ambos grupos a densidade mineral óssea foi maior. Porém os garotos cresceram mais. As garotas tiveram crescimento maior, mas a massa magra aumentou e também o IGF-1. O que pode ser associado ao resultado acima em crianças maiores em mulheres suplementadas, pois muitas mulheres com risco de pré-eclampsia eram primigrávidas, o que poderia ligar o raciocínio em ambos trabalhos. Mas o que me chama atenção este ano é o risco de suplementar cálcio em pacientes idosos, uma prevalencia maior de demencia e de acidente vascular e doença cardíaca nos suplementados. Principalmente mulheres. Ora, mulheres pós-menopausa sem terapia de reposição hormonal tem uma tendencia maior a ter placas ateromatosas, o aumento súbito do cálcio como suplemento vai aumentar o risco de calcificação dos ateromas nas artérias, daí a demencia, que seria isquemica e o acidente vascular. Eu pergunto, como seria se as pacientes usassem hormonio e cálcio? O hormonio protegeria os vasos do ateroma e o cálcio não teria tanto efeito assim, tipo deletério. Então a conclusão de reposição de cálcio é, repor enquanto o paciente está crescendo, crianças, pré-adolescentes, adolescentes e na minha opinião pessoal, nas mulheres enquanto produzindo hormonios sexuais. Depois da menopausa, há risco aumentado, porém devemos avaliar o risco e o benefício do suplemento.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Whey e Aminoácidos essenciais

Bem, hoje li dois artigos muito interessantes, vou comentar aqui. Um foi do Nutrition Research, último numero onde foi suplementado whey protein (proteína do soro do leite) (15g), a quantidade aproximada de aminoácidos essenciais do whey (6,72g), e uma quantidade aproximadamente igual de aminoácidos não essenciais do whey (7,57g). Os pesquisadores avaliaram o nivel de fenilalanina no plasma dos usuários e é evidente o resultado, o whey e os aminoácidos essenciais levaram a um aumento no nivel plasmático de fenilalanina enquanto que os aminoácidos não essenciais não o fizeram. Mas o resultado interessante foi no ganho de massa magra. O whey teve uma performance melhor que os aminoácidos essencais do whey, a diferença foi foi estatisticamente significativa, o que sugere duas possibilidades. Ou os não essenciais fizeram a diferença, ou o whey em si tem um fator adicional (foi a conclusão dos pesquisadores). Outro dado, o nivel de insulina nos usuários de whey foi maior que nos usuários de aminoácidos essencias e não essenciais. De nota, os usuários eram pacientes idosos. O que pode falar em favor do whey para ganho de massa em idosos. Outro dado interessante que eu devo comentar, devemos analisar que os aminoácidos não essenciais tem atividade no organismo, induz secreção de insulina e também poupadora de aminoacidos essenciais, pois muitos dos aminoácidos essencias são precursores de não essenciais, peguem por exemplo a interação dos ramificados (valina, isoleucina e leucina [BCAA]) que interagem na formação de glutamato, glutamina, arginina, citrulina, ornitina e prolina. Se interage para formar arginina, também interage para formar creatina via guanidoacetato, e por aí vai.
O outro trabalho foi da Psychopharmacology deste mês. O estudo forneceu a voluntários humanos (18) saudáveis, de forma duplo-cego, distribuição aleatória e cruzado, triptofano em várias formas como proteina padrão, alfa-lactoalbumina do soro do leite, proteina hidrolisada, l-triptofano puro (0.8g em todos), um peptidio sintético e placebo. Os pesquisadores avaliaram o nivel plasmático de aminoácidos e o humor dos voluntários. Em todos os suplementos, exceto placebo, o nivel plasmático de triptofano aumentou após a ingestão da proteina, sendo que os melhores desempenhos foram da proteina hidrolisada e do peptidio sintético, seguido pelo l-triptofano e depois a alfa-lactoalbumina. De forma interessante, na avaliação de humor, a proteína hidrolisada foi a que apresentou melhor performance associada a aumento de serotonina no sistema nervoso central. O estudo deve ser analisado sob ótima crítica da interferencia de aminoácidos neutros na cinética do metabolismo de triptofano. Estes estudos, mais que elucidar, mostra uma tendência grande a se valorizar o tipo de suplemento, como, porque, onde os mesmos atuam. Aumentando nosso conhecimento. Eu particularmente estudo os aminoácidos e seu metabolismo desde 1988 e tenho lido praticamente tudo sobre eles desde então... Caiu a ficha...! São 20 anos estudando aminoácidos....

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cancer de Próstata - Experiencia Pessoal

Bem, há uns 4 anos atrás deparei com um exame do meu pai com PSA acima de 40. Fui com ele ano urologista e foi feita toda parafernália de exames. Resultado, ele estava com cancer de próstata, receptor de andrógeno positivo, com metástase na coluna, todo quadril e femur direito. Claro, foi um choque muito grande, pois o grau da metástase já estava elevado e ele já sentia dor óssea quando foi descoberto o câncer. Bem, no final das contas, eu estudava câncer já há muito tempo, câncer de próstata não era complicado, o complicado eram as metástases. Ele fez o tratamento tradicional, um análogo de LHRH. Eu fiz o meu, conversando antes com o urologista. Partindo da premissa da metástase óssea, fiz uma reposição de cálcio, vitamina D e alendronato para melhor a densidade óssea, eu imaginava que melhorando a densidade óssea ele teria menos dor. Partindo da idéia de induzir apoptose da celula neoplásica com peroxidação lipidica, fiz 10 capsulas de 1g de oleo de peixe, totalizando cerca de 2g de EPA e mais 1,5g de DHA. Fiz também GLA (óleo de borage) em torno de 10 cápsulas de 500mg, dando em torno de 2g de GLA. A cada 1 semana por mês, fiz durante um dia na semana 1g de vitamina C efervescente a cada 2 horas mais ou menos. Não fiz só isso, montei um shake imunoestimulante também a base de glutamina, zinco, n-acetilcisteína. No final das contas ele melhorou muito rapidamente da dor óssea, o PSA baixou muito e hoje fica em torno de 0.1, raramente saindo desta variação. Creio que todos os canceres que tem polimorfismo para GST (glutationa -s-transferase) podem ser tratados desta forma, potencializando o efeito da droga antineoplasica e induzindo apoptose da celula por gerar peroxido de hidrogenio intracelular, como a célula que tem polimorfismo para GST tem incapacidade de detoxificar o peróxido de hidrogenio, eu gero tensão oxidativa intracelular onde há polimorfismo e a presença de alta concentração de ácidos graxos poliinsaturados detona uma peroxidação lipidica na célula neoplásica. Lembro que a GST também é a enzima que detoxifica a célula contra agentes nucleofílicos, e na minha teoria, é a parte da interação genética com o meio ambiente. Deixo aqui a minha experiencia para vocês estudarem e levarem para frente a teoria. Lembrem-se, eu fiz baseado inteiramente no meu conhecimento e raciocínio, não há trabalho, de meu conhecimento com esta metodologia. Bem, eu também fiz o velho ingerir ácido elágico. Vocês podem perguntar como, isso há alguns anos atrás. Romã. Cerca de 10 sementes de romã por dia, ingeridos como se fosse comprimidos ou cápsulas. Acredito piamente que a semente da romã talvez seja um dos melhores e mais baratos antioxidantes disponiveis para a população, os estudos são bons em diabetes, doença cardíaca, hipertensão e canceres variados, especialmente o cancer de prostata. Há que se considerar também a inibição do fator indutível por hipoxia com as doses elevadas dos antioxidantes. Meu pai está bem hoje, agora faço creatina e carnitina nele para melhorar a força muscular e diminuir a fadiga. Esta semana trouxe para ele mais omega-3 para continuar umas terapias de pulso.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sistema Nervoso

Leitores do blog estão fazendo perguntas. Sinceramente, gostaria de responder, mas não sei fazer ainda, assim como não sei operar totalmente este sistema. Alguns pedem para esclarecer o que fiz no cancer, eu postarei na próxima semana o resumo do que eu fiz e as doses, mas eu aviso, eu fiz no meu pai com base no meu conhecimento, falta ainda comprovação científica do tratamento, mas eu tentarei comprovar um dia em teste clinico. Hoje em dia, estudar requer grande dedicação. Alguns valorizam isto, outros não. Vejamos. Ler um artigo e interpretá-lo de forma correta não é apenas entender, há outras variantes que devemos conhecer. A metodologia do trabalho é muito importante, as vezes um erro metodológico põe tudo a perder, e eu já vi muito trabalho com erro metodológico que leva a uma conclusão errada, portanto, devemos ler com critério a área de material e métodos e se houver alguma dúvida, procurar informações em outras referencias bibliográficas. A população testada também é importante. A escolha da população leva a erros e acertos, como por exemplo o uso de afro-americanos em estudos de pressão arterial, antihipertensivo. A população negra responde de forma diferenciada aos medicamentos anti-hipertensivos, tem também uma resistencia maior a nitritos. Sem contar o tamanho da amostra, tamanhos de amostra pequenos podem levar a conclusões falsas, tanto falso-positivo quanto falso-negativo. Outro problema é a análise estatística, a metodologia pode variar e levar a conclusões erroneas. Isso sem falar de patrocinios, interesses financeiros por trás, etc. Ou seja, ler artigo não é só ler, precisamos interpretar e entender, entender e criticar. O interessante disso tudo é que as vezes encontramos profissionais que não entendem o valor de se entender isso. Eu penso que todos deveríamos fazer cursos de interpretação de trabalhos científicos. Com certeza valorizaríamos muito mais o conhecimento e não seriamos induzidos a erros. Uma crítica aqui vai de uma colega que me interrompeu várias vezes para perguntar sobre TRH, ela havia feito um curso antes e estava tirando as dúvidas comigo. Bem, eu não gosto de comentar aulas de colegas, nós devemos ter em mente que devemos aprender sim, lendo e assistindo aulas, com senso crítico e um mínimo de conhecimento e bom senso. Falta para alguns colegas.

domingo, 19 de outubro de 2008

Mitocôndrias

Mitocôndrias devem ser protegidas. Imaginem que é o centro de produção de energia da célula e ao mesmo tempo, é o local onde mais produzimos radicais livres. Bem, isso é meia verdade, segundo estudos, o local onde mais produzimos é o intestino, particularmente na luz intestinal. Bem, mas na fosforilação oxidativa, nós produzimos radicais livres, daí nossa capacidade antioxidante mitocondrial especificamente tem que estar no limite ótimo, sempre. Nunca paramos de produzir energia, daí é lícito imaginar que estamos sempre produzindo radicais livres e portanto precisamos sempre de antioxidantes intramitocondriais. Hà estudos voltados para este tema. Coenzimas mitocondriais estão sendo estudadas, protetores mitocondriais estão sendo estudados e já há estudos falando de coquetéis mitocondriais. Falei sobre isso no meu curso em São Bernardo do Campo. Eu particularmente acho que é interessante protegermos a mitocondria, o risco de deleção no DNA mitocondrial é maior, o DNA mitocondrial é menor que o do nucleo. Menos proteinas expressas, mais risco de lesão com a tensão oxidativa. Bem, eu listarei a seguir moléculas que tem sido associadas a proteção mitocondrial: niacinamida (NADH), riboflavina (FADH2), l-carnitina, creatina, ácido lipoico, glutationa (pode ser NAC), superóxido dismutase mitocondrial (dependente de manganês). Acho que seria um bom coquetel mitocondrial misturar tudo isso num produto e ingerir todo dia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

N-acetilcisteína

Neste ano, muitos trabalhos estão sendo publicados sobre a N-acetilcisteína (NAC). Há muito nós conhecemos o seu papel como precursor de glutationa (GSH). O raciocínio é simplista, ingerimos NAC que fornece cisteína ao corpo. Quando o aporte de cisteína aumenta, nosso corpo produzi GSH. Se não produzir GSH acumulará cistina, considerado tóxico para a célula. Não confundir, ligações entre dois aminoácidos cisteínas, forma a cistina, com ponte S-S que é importante em proteína fibrosa, mas não como aminoácido livre circulante. Bem, se ingerimos NAC fazemos GSH. GSH é antioxidante, detoxificante de elementos altamente nucleofílicos, imunoestimulante. Não só isso, parece que a GSH tem papel fundamental no metabolismo cerebral, tanto que a NAC tem sido usada em mania e esquizofrenia, mostrando resultados superiores ao placebo. Além disso, o processo de detoxificação é importantissimo nos dias de hoje, principalmente quanto a substancias nucleofílicas. Se estas não são eliminadas ou jogadas para fora das células (é o que o GSH faz), causam lesão ao DNA podendo levar ao cancer. A GSH funciona como antioxidante, doando o próton hidrogenio, formando GSSG, que é reduzido pela glutationa redutase. Cerca de 70% da GSH do nosso corpo vem da redução da GSSG. É um numero meio cabalistimo pro corpo. 70% do combustivel queimado no nosso corpo se perde na forma de calor. 70% do glutamato no SNC vem do cetoglutarato, 70% da GSH vem da GSSG (intervalo). Bem, o fato é que eu penso que GSH sempre é interessante no individuo são no dia a dia moderno. Existem moléculas que estimulam produção de GSH, a saber: N-acetilcisteína, glucosinolatos, isotiocianatos, taurina, leucina. Boa teoria hepatoprotetora e detoxificadora, ingerir vegetais com glucosinolatos e isotiocianatos e ingerir aminoácidos, taurina, leucina e N-acetilcisteína.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Projetos e Aulas

Olá, estou com uma aula marcada para o dia 8 de novembro. Esta é uma aula que sempre faço, de atualização. Eu faço um giro no que há de interessante publicado e comento com os alunos. Nesta aula eu fornecerei os artigos originais integrais em CD-ROM para que os alunos possam estudar depois. Falarei de alguns temas novos e interessantes, como as revisões sobre medicina esportiva e suplementos da ultima semana, o que tá comprovado que funciona em artigos de revisão e meta-análise. Também abordarei alguns produtos novos, como o extrato de romã e suas aplicações diversas, talvez fale sobre o efeito do ácido catalpico na obesidade, mas vou ver ainda. Falarei do uso de NAC em doenças psiquiátricas e o potencial de gerar GSH e mania e esquizofrenia. Falarei também da contraindicação do NAC em intoxicados por mercurio, o porque e como evitar. Além disso focarem num trabalho interessante de coquetel mitocondrial, uma fórmula para as mitocondrias dos pacientes. Há muita coisa interessante, nos ultimos meses começaram a pipocar artigos de omega-3 em autismo e mania, e foi publicado o primeiro trabalho de omega-3 em memória em pacientes com Alzheimer. Esta semana, pródiga, o revista AminoAcids trouxe um numero só sobre prolina, separei alguns artigos para este tema. Também saiu o primeiro trabalho (este ano) de fenilalanina e obesidade, mas também de omega-3 como sacietogenico. Novidades há muitas, inumeráveis. Este mês passado em especial, um artigo legal de vitamina D e espirulina (um de cada) em alergias. Outro dado interessante foi os artigos de solidificação do já existente, o efeito do epa em dislipidemias, o efeito de fitoesteróis em colesterolemia. Tudo isso num dia de aula e mais temas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Talco, Cancer e Outros

Hoje saiu um artigo ligando uso de talco nas regiões genitais e câncer de ovário. Bem, o trabalho comenta o risco aumentado, que é altíssimo se analisarmos o talco como um produto simples, trissilicato de magnésio. Mas o importante mesmo é a especulação sobre o modo de ação, estando este ligado a polimorfismo de glutationa-s-transferase e acetiltransferase. Venho defendendo há vários anos o uso deste polimorfismo para tratar câncer. Eu realmente acredito que os canceres que apresentam este tipo de polimorfismo possam ser tratados com ácidos graxos poliinsaturados em doses altas, como os omega-3 mais um gerador de estresse oxidativo, particularmente o peróxido de hidrogenio na célula. Daí o tratamento de alguns canceres, pode ser uma associação de altas doses de omega-3 e altas doses de vitamina C. A vitamina C gera tensão oxidativa intracelular, gerando peróxido de hidrogenio e ao mesmo tempo, após ser reduzida, inibindo o HIF, fator indutível por hipoxia, diminuindo a avidez por energia da célula neoplásica. Os omegas, além de melhorarem a permeabilidade da membrana, propiciando fluxo aumentado de droga antineoplásica para o interior da célula, teria um efeito pró-oxidativo, aumetando a formação de peróxidos lipidicos e sinalizando para a apoptose da célula. Além disso, tornaria a célula neoplásica mais sensível também a rádioterapia. Eu usei este tipo de tratamento em meu pai, com cancer de próstata, mais o tratamento convencional. O interessante de tudo é que ele hoje está muito bem, e quando descobrimos o cancer, há uns 4 anos atrás ele estava com metástase na coluna, quadril e parte do fêmur. Usei naquela época um tratamento a base de alendronato e cálcio para inibir a metástase óssea, e usei os omegas-3 em altas doses e vitamina C em alta dose.

sábado, 11 de outubro de 2008

BCAA

Boa noite. Foi postado um comentário sobre BCAA e leucina. Como é o primeiro, eu responderei. Bem não há muita novidade sobre leucina, o que sabemos hoje é que a leucina é o aminoácido ramificado importante para a função muscular. Aliás, não apenas função muscular, mas também para a função de mtor (mammalian target of rapamycin), que é uma proteína sinalizante para crescimento muscular. Bem, há um mês foi publicado um trabalho que valida o momento de uso dos aminoácidos, sem os aminoácidos, o efeito da insulina no crescimento muscular ou no mtor é deficitário ou não existe, daí o que existe para massa é leucina, insulina e aminoácidos essenciais, este ao meu ver é o limitente do ganho de massa atualmente. A leucina também mostra efeitos termogenicos, imunoestimulantes e, ao estimular mtor, a leucina também é capaz de estimular fibroblastos, hepatócitos e neuronios a produzir proteinas. Dai entende-se que a leucina pode ser ótima para induzir o fibroblasto a produzir colágeno, o hepatócito a produzir glutationa (o que pode em parte explicar o efeito antioxidante do whey) e o neuronio a produzir proteinas e armazenar informações. Há muito ainda a ser confirmado. Enriquecer qualquer proteína com leucina é um bom método para estimular massa. Eu faria uma mistura de whey, colageno, soja e albumina e enriqueceria tudo com leucina para ganho de massa. E observar a presença de sulfurados, pois é importantíssimo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Estréia

Olá, estou estreando em blog. Eu tinha um há vários anos atrás, mas acabei desativando. Migrei recentemente para o Orkut, porém penso que na forma de blog eu posso ser mais útil. Postar informações mais detalhadas e textos mais extensos. Posso divulgar melhor o meu trabalho e as informações para os colegas e alunos.
Hoje particularmente li alguns artigos interessantes, principalmente com relação a omega-3. Leio muito hoje por conta da consultoria, porém também por conta de vício mesmo, estudo omega-3 há dezenas de anos. Hoje o que eu vi interessante foi um resumo de trabalho citando o uso de omega-3 no tratamento de boca seca em pacientes com Sjogren. Já seria esperado também em função de artigos anteriores usando omega-3, particularmente o flax seed em síndrome de olho seco. Eu sempre comparo, para esclarecimentos da principal função do omega-3, uma cerca de madeira. Onde as tábuas são pregadas lado a lado. Considero os ácidos graxos as tábuas de uma cerca. A cada dupla ligação, o ácido graxo sobre uma curvatura que pode ser para um lado ou para outro, dependendo se for cis ou trans. Imaginem então uma cerca, onde ácidos graxos estão distribuidos na forma ideal, saturado, poliinsaturado, monoinsaturado, cis. Todos bem distribuidos regulando a funcionalidade da membrana. Quando ingerimos concentrações diferentes, ácidos graxos trans e menos poliinsaturados e monoinsaturados tipo cis, a estrutura da membrana será diferente, consequentemente isso alterará a funcionalidade da membrana, a sinalização transmembrana, a facilidade ou dificuldade com que as proteinas transmembrana sofrem as alterações alostéricas, a funcionalidade de receptores. Muita atividade para a estrutura não é mesmo?

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