domingo, 22 de novembro de 2009

Proliferação celular

A proliferação celular parte da premissa que a célula necessita estimular a rota biossintética e produzir o que convencionamos chamar de esqueletos de carbono. São esqueletos de carbono os aminoácidos, os carboidratos (deoxiribose e ribose), ácidos graxos e outros. Quanto analisamos o metabolismo celular, entendemos que a rota glicolitica é uma rota que produz energia mas também produz esqueletos de carbono para a biossíntese. De forma interessante, a glicólise anaeróbia é a rota de maior produtividade de esqueletos de carbono, porém a glicólise aeróbia, que completa a anaeróbia também produz esqueletos de carbono. Um produzido pela via aeróbia é o alfa-ceto glutarato que dará origens a inumeros aminoácidos não essenciais para a formação de estruturas, mas também para a produção de substratos enzimáticos, o mais conhecido talvez seja a arginina. Claramente uma célula diferenciada usa preferencialmente a glicólise aeróbia em função de maior rendimento de energia, mas também em função da menor demanda de esqueleto de carbono. Uma célula altamente proliferativa se comporta de forma adversa, priorizando a via glicólise anaeróbia, produzindo menos ATP, mas produzindo mais esqueletos de carbono para biossíntese e proliferação. Esta via geralmente é estimula pelo TOR ou pelo Akt, estes estimulos fazem com que a célula priorize a via glicolise anaerobia produzindo mais esqueletos de carbono estimulando as enzimas no citoplasma da célula levando a estimulo da proliferação. Em atletas anerobios, o exercicio resistido é um mecanismo estimulado pela via TOR e glicolise anaerobia. As células neoplásicas se comportam de forma semelhante a celula proliferativa, gerando capacidade biossintética maior e isso explica sua capacidade de reprodução aumentada e seu alto grau de invasibilidade. Estudos hoje focam TOR para inibição da atividade glicolitica anaerobia na célula neoplásica, diminuindo sua capacidade biossintética. Ao mesmo tempo, a célula neoplásica, bem como a célula proliferativa, utilizam em menor grau a glicolise aerobia, produzindo menos radicais livres, pois estes são produzindos principalmente dentro da mitocondria quando a célula completa o ciclo oxidativo, daí células altamente proliferativas e cancerígenas parecem produzir menos radicais livres, este pode ser outro alvo interessante para tratamento. Imaginamos que uma célula que produz poucos radicais livres tem baixa atividade antioxidante em função da demanda normal, daí um estresse oxidativo brusco pode ser altamente benéfico nas células neoplásicas, mas também pode afetar de forma significativa as células proliferativas.

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