sábado, 26 de dezembro de 2009

O selênio -amor e ódio

A história do selênio é interessante. Hoje muitos prescrevem o elemento como suplemento, ou orientam ingestão de castanha do Brasil como fonte de selênio. Há 20 anos atrás o selênio não era muito utilizado, estava disponivel como reagente na forma de selenio metálico e selenito de sódio e desta forma eram usados como suplemento em fórmulas magistrais. Deste esta época eu estudo o selênio e venho acompanhando a evolução do  conhecimento sobre  seu metabolismo. Estudos indicam que o selênio é altamente tóxico, tanto quanto o arsênio se administrado em doses altas. Como todo oligoelemento, é essencial a um sem número de caminhos metabólicos no nosso corpo, porém em excesso é tóxico, altamente tóxico. O que me preocupa não é a sua dose tóxica, é o desconhecimento de sua toxicidade sub-clínica. Estudos na China, onde foram identificadas duas doenças por deficiencia de selenio, Kashin-Beck e Keshan trouxeram uma luz sobre seu uso como suplemento e seu uso na agricultura. Regiões onde existiam estas doenças endêmicas tiveram seu solo adubado com selênio e a prevalência destas doenças diminui drasticamente. O selênio tem sido ligado a algumas patologias, sua deficiencia é associada a estresse oxidativo descontrolado por deficiencia de caminhos metabolicos antioxidante (glutationa peroxidase por exemplo), baixa atividade da enzima iodotironina 5-deiodinase que converte T4 a T3, levando a hipotiroidismo sub-clínico. Também há estudos do selênio em tiroidite de Hashimoto melhorando qualidade de vida nestes pacientes. O outro lado é também interessante, há estudos mostrando que o selênio em excesso inibe a tireoperoxidase, diminuindo a produção de hormonios tiroideanos, duas faces interessantes. Selênio em excesso dá hipotiroidismo, selênio em falta também. Há estudos ligando suplemento de selênio e prevenção de cancer, porém estudos de níveis plasmáticos e câncer mostram que o nível elevado de selênio aumenta prevalência de alguns tipos de câncer. Outro lado interessante do selênio é que estudos epidemiológicos já há pelo menos 5 anos mostram uma relação entre o nivel plasmático elevado de selênio e o risco aumentado de diabetes tipo 2 na população. Este mês foi publicado um artigo relacionando o selênio e aumento nos níveis de colesterol total e colesterol não-HDL, ou seja, aumento de colesterol da LDL, VLDL e total, mas não da HDL. Imaginem então a repercurssão de um nível aumentado de selênio na dieta ou como suplemento. Hipotiroidismo sub-clínico leva a obesidade. Nível plasmático de selênio alto aumenta risco de diabetes tipo 2. Nível aumentado de selênio no sangue aumenta colesterol da LDL. Some tudo isso aí, sindrome metabólica, doença cardíaca, infarto no miocárdio, acidente vascular cerebral. Cada vez mais os estudos mostram que o objetivo nunca é suplementar sem controle, é suplementar apenas o que o indivíduo necessita. Eu pergunto a vocês que prescrevem o selênio e orientam dieta... vocês sabem se seu paciente precisa do selênio que vocês estão indicando?

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