quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Flavonóides e Cérebro

Esta semana foi publicado um artigo avaliando efeito de blueberry em demencia em pacientes idosos. O efeito foi leve mas foi estatisticamente observado. Há vários tipos de demência, vamos ficar em discutir algumas como a demência isquêmica por exemplo. Se um paciente idoso tem demência isquêmica, o que não é raro, a dilatação das artérias com consequente aumento de fluxo sanguíneo vai levar a uma melhora, talvez lenta, mas vai levar. Porém se analisarmos que a perfusão cerebral aumenta com o suplemento de flavonóides/polifenóis, esta perfusão temporariamente pode induzir ao estresse oxidativo por reperfusão pós isquemia, daí devemos avaliar a abordagem correta. flavonóides/polifenóis em geral aumentam a produção de óxido nitrico, via indução da óxido nitrico sintetase endotelial, este estímulo levaria a uma dilatação da artéria e consequentemente melhora do fluxo sanguíneo. Toda dilatação dependente de óxido nitrico pressupõe controle da tensão oxidativa, geralmente o radical livre superóxido, cuja produção está aumentada no idoso devido a atividade maior da nadph oxidase e a desacoplamento da eNOS, neutraliza o óxido nitrico gerado gerando peroxinitrito. A reperfusão rápida pode levar a síndrome de isquemia e reperfusão e daí gerar estresse oxidativo, mesmo temporário via ativação da xantino oxidase. Alguns flavonóides inibem a xantino oxidase. Acredito que a demencia isquemica deve ser abordada de forma cautelosa com vasodilatadores, flavonoides serão muito úteis, mas dependem de outros fatores para funcionarem a contento. Um fator interessante é o próprio magnésio, que melhora a produçaõ de ATP no SNC e pode agir de forma benéfica melhorando o resultado da reperfusão. Bem, o fato é que ultimamente vem se publicando muito sobre polifenóis e sistema nervoso central. O último artigo foi sobre demencia, o penúltimo sobre depressão. Como flavonoídes podem influenciar a depressão? devido a perfusão e a mudança do perfil inflamatório e a sua interferencia no metabolismo de neuroesteróides. Muito ainda será publicado e esclarecido ainda este ano.

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