sábado, 31 de janeiro de 2009

Chumbados

O chumbo é um contaminante ambiental disperso. Segundo a agencia de proteção ambiental americana (EPA do inglês), o chumbo é um metal tóxico multidistribuido e multicontaminante, ou seja, entramos em contato com o chumbo pelas particulas do ar, contaminação em fontes de água, resíduos de industrias, tintas, alimentos, etc. No final das contas, parece ser praticamente impossível não ter chumbo em nosso organismos. Estudos avaliando chumbo nos ossos de cadáveres mortos na idade média e comprando com mortos na época atual mostram que os níveis de chumbo naquela época eram cerca de 50 vezes menores que nos dias de hoje. E não é apenas isso, estudos indicam que países em desenvolvimento tem dificuldade em controlar o nivel de chumbo em tintas e, em alguns países, as tintas chegam a ter teores altíssimos de chumbo, o que com o tempo, contamina os moradores da casa. Estudo do ano de 2006 recomenda que devemos baixar o nivel máximo de chumbo aceito, 10mcg/dL hoje para 2mcg/dL. Noticia ruim, nas avaliações de chumbo no sangue que tenho acompanhado, é raro não vir chumbo, e é comum vir chumbo acima de 2mcg/dL, considerado ainda pelas agencias de saúde como um nível aceitável. Estudos na Austrália mostram que o chumbo no ambiente por conta de mineradoras leva a uma diminuição no QI das crianças que tem contato com este chumbo, e mesmo após tratamento e deslocamento destas crianças para áreas não contaminadas, o efeito n QI persiste, apesar de mostrar uma leve melhora no desenvolvimento das crianças, levando a concluir que a lesão é permanente. Estudos da década de 1980 mostraram que mesmo quelando o chumbo se deposita no osso e o osso é como se fosse um depósito de chumbo no corpo, durante o turnover ósseo a desmobilização de cálcio provoca desmobilização de chumbo e este chumbo volta a corrente sanguínea e causa sua toxicidade em tecidos moles. Estudos da década de 1990 mostram que, mesmo quelando o chumbo e controlando a contaminação exógena, eu ainda devo me preocupar com a contaminação exógena, ou seja, a desmobilização óssea, que pode manter o nivel de chumbo elevado no sangue por centenas de semanas, dependendo do quanto há de depósito no osso. Notícia ruim? sim, por isso eu defendo trabalhar com contaminação por chumbo não apenas quelando, quelar o chumbo hoje é apenas parte do tratamento, a não ser que seja intoxicação aguda. Quelar o chumbo com DMSA, ácido lipoico ou EDTA-cálcico é parte de um tratamento abrangente que deve focar também antioxidantes e compensadores metabólicos. Se há anemia, ferro deve ser dado, se há problemas com grupo heme, devemos pensar na vitamina E. Devemos também pensar sempre em antioxidantes como vitamina C, vitamina E, ácido lipoico, complexo B. Outro dado se refere a toxicidade inerente do chumbo ao sistema nervoso central, refletindo em sintomas neuropsiquiátricos. Se há uma doença já estabelecida, a toxicidade deve ser reavaliada. Dois estudos, um do ano passado e outro deste ano em crianças com déficit de atenção em desordem de hiperatividade mostraram que o chumbo em niveis de 1mcg/dL piora o quadro clinico das crianças. Imaginem então outras desordens metabólicas, como o idoso com doença de Alzheimer. Será que isso é real para pacientes com Parkison intoxicados por manganês? O tempo dirá.

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